A insustentável leveza da liderança de instituições públicas em Cabo Verde
Em Cabo Verde, fala-se muito de liderança, mas pratica-se pouco. O discurso sobre o mérito, a eficiência e a responsabilização tornou-se um exercício retórico que esconde uma realidade bem mais dura: a de um país onde os lugares de direção e chefia são, demasiadas vezes, ocupados não pelos mais capazes, mas pelos mais convenientes. Instalou-se uma cultura de liderança marcada por um fraco comprometimento com as instituições e com o serviço público. O resultado é uma administração pública e um tecido institucional presos num ciclo de inércia, improvisação e mediocridade, que mina silenciosamente a confiança dos cidadãos e compromete o desenvolvimento do país. Ou seja, falta ao país uma liderança com propósito, que entenda o tempo como recurso estratégico e o cidadão como destinatário último da ação pública. Naturalmente, existem bons líderes e instituições públicas bem geridas, mas são exceções à regra. Peter Drucker, considerado o pai da gestão moderna, insistia que o verdadeir...