Ascensão económica e social da China e lições para Cabo Verde (parte 2)*
No domínio das infraestruturas e da organização do território, a comparação é igualmente dolorosa. A China utilizou a construção de infraestruturas – portos, aeroportos, redes ferroviárias de alta velocidade e infraestruturas digitais – como alavanca deliberada para a integração do mercado interno e a redução dos custos de contexto, numa lógica de conectividade funcional. Em Cabo Verde, a política de infraestruturas tem sido, demasiadas vezes, guiada pela lógica da “obra de fachada”, do betão visível que rende votos no curto prazo, em detrimento da racionalidade económica e da sustentabilidade financeira. O país contraiu dívidas avultadas para erguer infraestruturas que, em muitos casos, se encontram subutilizadas ou carecem de modelos de gestão eficientes. O exemplo mais paradigmático e vergonhoso desta incompetência estratégica reside no dossiê dos transportes marítimos e aéreos interilhas. Cinquenta anos após a independência, é incompreensível e inaceitável que um país arquipe...