O paradoxo de Trump: como a confrontação global pode fortalecer a China*
Existe uma ironia profunda no centro da política externa do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump: a estratégia concebida para conter e enfraquecer a China poderá estar, em vários planos estruturais, a produzir o efeito contrário. Ao adotar uma postura sistematicamente confrontacional, a administração Trump está, paradoxalmente, a criar condições políticas, diplomáticas e económicas favoráveis à consolidação da China como potência global alternativa. Note-se que essa atitude do presidente norte-americano não se limita a Pequim, estendendo-se também a aliados históricos, instituições multilaterais e a teatros de conflito tão distintos como o Médio Oriente. A demonstração mais eloquente dessa dinâmica surgiu no final de 2025, através de um indicador de enorme significado estratégico: pela primeira vez em quase duas décadas, a China ultrapassou os EUA em aprovação internacional, segundo o inquérito anual da Gallup realizado em mais de 130 países. Trinta e se...