O Paradoxo de Kaldor e a valorização do yuan
A valorização recente do yuan – a unidade monetária do renminbi, a moeda oficial da República Popular da China – constitui um dos factos económicos mais interessantes do nosso tempo. Num mundo habituado a associar competitividade externa a salários baixos e moedas fracas, a experiência chinesa aponta numa direção diferente. No início de junho de 2026, o yuan offshore negociava em torno de 6,8 por dólar, acumulando uma valorização próxima de 6% em apenas doze meses. Não se trata de uma anomalia passageira, mas do reflexo de uma transformação estrutural. À medida que a economia chinesa sobe na cadeia de valor, aumenta a produtividade, reforça a capacidade tecnológica e conquista mercados através da qualidade e da inovação, a sua moeda tende a fortalecer-se. Este fenómeno confere nova relevância às ideias do economista britânico Nicholas Kaldor, que há várias décadas argumentava que a verdadeira fonte da competitividade não reside em salários baixos ou desvalorizações cambiais, mas ...