Poderá a China ultrapassar os EUA e liderar a economia mundial?*
Nas últimas quatro décadas, a China deixou de ser apenas a “fábrica do mundo” para se afirmar como um ecossistema profundamente integrado, em que a investigação científica, a engenharia aplicada, a rede de fornecedores industriais e a capacidade produtiva operam de forma articulada e sinérgica. A magnitude desta transformação é tal que, hoje, a questão já não é se a China ultrapassará os Estados Unidos da América (EUA) como a maior economia mundial, mas quando – convertendo esse debate num exercício de análise estrutural, mais do que de futurologia. Na verdade, a evolução recente da economia chinesa, apesar das fragilidades conjunturais, confirma que o país já consolidou uma posição de poder sistémico que transcende o PIB nominal e se projeta através da indústria, da tecnologia, das cadeias de valor e da geoeconomia. A questão central é, portanto, temporal e condicional: em que circunstâncias e com que velocidade a China converterá o seu peso material em primazia económica global...