Quando os aeroportos explicam a redução da taxa de desemprego
Há uma arte antiga, cultivada com mestria por governos de todas as latitudes, que consiste em apresentar os dados estatísticos no momento certo, com o enquadramento certo e para o público certo. Cabo Verde não é exceção. A publicação, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), dos dados mais recentes do mercado de trabalho, relativos ao segundo semestre de 2025, convida a uma leitura que vai muito além dos números em si. Antes de mais, nota-se que os dados foram publicados em período eleitoral, de onde se pode depreender que o INE quis dar um “empurrãozinho” ao Governo. A taxa de desemprego desceu para 4,9%. O emprego cresceu 7,1% face ao período homólogo. São cifras que, lidas isoladamente, têm toda a aparência de uma conquista. O Governo não perdeu tempo em apropriá-las: Cabo Verde estaria, segundo a narrativa oficial, a vencer a batalha do emprego. Mas a análise estatística séria não se faz com instantâneos. Faz-se com trajetórias, com contexto, com a honestidade intelectua...