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A mostrar mensagens de junho, 2026

Criptomoedas em Cabo Verde: oportunidades, riscos e regulação

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  Em outubro de 2008, um documento de nove páginas publicado na internet por um autor identificado apenas como Satoshi Nakamoto propunha ao mundo uma ideia aparentemente simples: criar um sistema eletrónico de pagamento entre pares que dispensasse completamente a intermediação de qualquer instituição financeira. Esse texto lançaria as bases de uma revolução silenciosa que, mais de uma década e meia depois, movimenta dezenas de biliões de dólares por dia e divide economistas, reguladores e investidores entre a fascinação e o ceticismo. Em janeiro de 2009 ,  Satoshi Nakamoto lançou a primeira criptomoeda, denominada Bitcoin, que também é a primeira moeda digital criada com base no sistema descentralizado blockchain . A tecnologia subjacente ao Bitcoin – a blockchain (cadeia de blocos) – é um registo distribuído ( distributed ledger ), público e partilhado por milhares de computadores, no qual as transações são registadas de forma permanente e virtualmente imutável. Alterar qu...

O Paradoxo de Kaldor e a valorização do yuan

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  A valorização recente do yuan – a unidade monetária do renminbi, a moeda oficial da República Popular da China – constitui um dos factos económicos mais interessantes do nosso tempo. Num mundo habituado a associar competitividade externa a salários baixos e moedas fracas, a experiência chinesa aponta numa direção diferente. No início de junho de 2026, o yuan offshore negociava em torno de 6,8 por dólar, acumulando uma valorização próxima de 6% em apenas doze meses. Não se trata de uma anomalia passageira, mas do reflexo de uma transformação estrutural. À medida que a economia chinesa sobe na cadeia de valor, aumenta a produtividade, reforça a capacidade tecnológica e conquista mercados através da qualidade e da inovação, a sua moeda tende a fortalecer-se. Este fenómeno confere nova relevância às ideias do economista britânico Nicholas Kaldor, que há várias décadas argumentava que a verdadeira fonte da competitividade não reside em salários baixos ou desvalorizações cambiais, mas ...

Adam Smith e a pobreza: uma leitura a partir de Cabo Verde*

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  Existe uma frase de Adam Smith que raramente aparece nos manuais de economia, mas que deveria figurar em qualquer debate sério sobre desenvolvimento: “ Nenhuma sociedade pode ser florescente e feliz se a maior parte dos seus membros for pobre e miserável.” Escrita em A Riqueza das Nações , em 1776, essa sentença condensa uma dimensão do pensamento smithiano que a história convencionou ignorar – a de que a prosperidade económica só é legítima quando conduz a uma sociedade genuinamente mais justa para a maioria das pessoas. A frase aparece no Livro I, Capítulo VIII, intitulado “Dos Salários do Trabalho”, e o contexto em que foi formulada é tão relevante hoje como o era no século XVIII: Smith escreveu-a precisamente para destruir a chamada “teoria da utilidade da pobreza”, segundo a qual os salários deveriam ser mantidos baixos porque, se os trabalhadores ganhassem mais, tornar-se-iam “preguiçosos” ou teriam filhos em demasia. Esse argumento, que Smith considerava ao mesmo tempo mo...