Cabo Verde preso na armadilha fiscal*
Cabo Verde chega a 2026 num ponto crítico do seu percurso económico. Uma década após a mudança política que levou ao poder um Governo suportado pelo MpD, e depois de sucessivos choques externos – da pandemia às recentes pressões inflacionistas internacionais –, persistem fragilidades estruturais que o tempo não resolveu e a governação não corrigiu. No centro dessas fragilidades está a política fiscal. Mais do que um instrumento de arrecadação, a fiscalidade define prioridades, molda incentivos e condiciona o modelo de desenvolvimento. Num pequeno Estado insular, com mercado limitado, elevada dependência externa e escassez de recursos, a forma como se cobra e se gasta cada escudo é determinante. E é precisamente aqui que o modelo atual revela sinais claros de esgotamento. Após uma década de governação ventoinha, o sistema fiscal apresenta resultados ambivalentes: alguma estabilidade conjuntural, mas ausência de transformação estrutural. A base tributária permanece estreita, a desp...