Um ensaio sobre como a China se tornou uma superpotência económica

A ascensão da China à condição de superpotência económica é um dos fenómenos mais marcantes da história contemporânea, resultado de uma combinação singular de fatores históricos, institucionais, políticos e económicos. O percurso chinês, desde o final dos anos 1970 até ao presente, revela uma trajetória de transformação estrutural sem precedentes, que desafia paradigmas tradicionais do desenvolvimento e oferece lições valiosas para economistas, decisores políticos e observadores internacionais. Para compreender como a China se tornou uma superpotência económica, é necessário analisar em profundidade as reformas iniciadas por Deng Xiaoping, a integração do país na economia global, o papel do Estado e das empresas estatais, a política industrial e a inovação tecnológica, a transição para um modelo de crescimento mais sustentável, bem como os desafios demográficos, financeiros e geopolíticos que moldam o presente e o futuro do país.

O ponto de inflexão da economia chinesa ocorreu em 1978, quando Deng Xiaoping assumiu a liderança e lançou o programa de “Reforma e Abertura” (“Gaige Kaifang”). Este conjunto de reformas foi concebido para romper com o modelo maoísta de autossuficiência e planificação centralizada, que, apesar de ter promovido a industrialização inicial e a unificação nacional, conduziu a graves distorções económicas, crises alimentares e atraso tecnológico. Deng Xiaoping, influenciado por experiências internacionais e pelo pragmatismo político, reconheceu que o desenvolvimento económico exigia flexibilidade institucional, abertura ao capital estrangeiro e uma abordagem experimental à reforma. A criação das Zonas Económicas Especiais (ZEEs), como Shenzhen, Zhuhai e Xiamen, foi um dos instrumentos mais inovadores desta estratégia, permitindo a atração de investimento direto estrangeiro, a transferência de tecnologia e a instalação de empresas multinacionais orientadas para a exportação. Estas zonas funcionaram como laboratórios de políticas, onde se testaram mecanismos de mercado, legislação diferenciada e incentivos fiscais, num contexto de forte controlo estatal e ausência de democracia liberal.

As reformas de Deng Xiaoping não se limitaram à abertura externa. No plano interno, a descentralização da gestão agrícola, com a introdução do sistema de responsabilidade familiar, permitiu um aumento exponencial da produtividade rural e dos rendimentos dos agricultores. A dissolução das comunas e a criação das Townships and Villages Enterprises (TVEs) estimularam a industrialização descentralizada, promovendo o surgimento de pequenas e médias empresas de propriedade coletiva e privada. Este processo foi acompanhado por uma política salarial que visava criar um mercado consumidor urbano e rural, essencial para a expansão da indústria de bens de consumo. A estratégia chinesa combinou, assim, elementos de substituição de importações e plataforma de exportações, procurando simultaneamente reduzir a dependência tecnológica e integrar-se nas cadeias globais de valor.

A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 constituiu outro marco decisivo na sua trajetória de ascensão. Após quinze anos de negociações e profundas reformas legislativas, a China comprometeu-se a reduzir tarifas aduaneiras, eliminar barreiras não tarifárias, proteger a propriedade intelectual e abrir setores estratégicos ao investimento estrangeiro. Este processo acelerou a integração da China nas cadeias globais de produção, tornando o país o maior exportador mundial de bens manufaturados e um parceiro comercial indispensável para mais de 140 países. O impacto da adesão à OMC foi sentido tanto no crescimento económico – com taxas anuais de dois dígitos durante vários anos – como na transformação estrutural da indústria, que passou a incorporar tecnologias avançadas e a competir em segmentos de maior valor acrescentado. A liberalização comercial e a atração de investimento direto estrangeiro foram acompanhadas por uma política cambial favorável às exportações, pela manutenção de barreiras não tarifárias estratégicas e por incentivos fiscais à inovação.

O papel do Estado e das empresas estatais (SOEs) permanece central no modelo chinês, contrariando a tese da restauração capitalista e evidenciando a permanência de elementos do socialismo de mercado sob liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). As SOEs controlam setores estratégicos como energia, finanças, infraestruturas, telecomunicações, tecnologia pesada e defesa, representando cerca de 25% a 40% do PIB e 80% a 90% dos ativos das maiores empresas nacionais. A governação destas empresas é caraterizada por uma estrutura piramidal, com múltiplos níveis de subsidiárias e uma forte presença de comités do Partido em todos os escalões de decisão. O Estado utiliza as SOEs como instrumentos de política industrial, anticíclica e de inovação endógena, articulando o planeamento centralizado com mecanismos de mercado e promovendo a internacionalização dos campeões nacionais. A Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC) exerce o controlo direto sobre os conglomerados estatais, coordenando a implementação dos planos quinquenais e das estratégias nacionais de desenvolvimento.

A política industrial chinesa evoluiu significativamente nas últimas décadas, passando de uma abordagem baseada na imitação e engenharia reversa para uma aposta decidida na inovação tecnológica e na liderança global em setores emergentes. O plano “Made in China 2025” (MIC 2025), lançado em 2015, visa transformar o país numa potência de manufatura avançada, reduzindo a dependência de tecnologias estrangeiras e promovendo a autossuficiência em áreas como inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos, biotecnologia, equipamentos médicos e robótica. O MIC 2025 inspirou-se no modelo alemão da Indústria 4.0, mas adaptou-se às especificidades chinesas, combinando incentivos fiscais, financiamento estatal, apoio à investigação e desenvolvimento (I&D) e políticas de transferência de tecnologia. Os resultados são evidentes: a China lidera mundialmente em produção de painéis solares, baterias de lítio, veículos elétricos, drones, comboios de alta velocidade e, progressivamente, em inteligência artificial e computação quântica.

A inovação tecnológica tornou-se o principal motor do crescimento económico chinês, refletindo-se no aumento exponencial do investimento em I&D, no número de patentes registadas e na formação de capital humano altamente qualificado. Em 2024, a China investiucerca de 2,68% do PIB em I&D, aproximando-se da média dos países da OCDE, e formou mais de 50.000 doutorados em áreas STEM[1], ultrapassando largamente os Estados Unidos. O sistema educativo chinês, baseado na meritocracia e na expansão massiva do ensino superior desde 1999, criou uma reserva de talento científico e tecnológico que alimenta tanto as empresas privadas como as estatais. A colaboração entre universidades, centros de investigação e empresas é incentivada pelo Estado, que promove a transferência de conhecimento e a criação de clusters de inovação em regiões estratégicas como Pequim, Xangai e Shenzhen.

A transição para um modelo de crescimento mais sustentável e inclusivo tornou-se prioridade nos últimos planos quinquenais, em resposta aos desafios ambientais, demográficos e sociais que acompanham o desenvolvimento acelerado. A China comprometeu-se a atingir o pico de emissões de carbono antes de 2030 e a alcançar a neutralidade carbónica até 2060, implementando políticas de transição energética, promoção das energias renováveis, eficiência energética e economia circular. O país lidera mundialmente em capacidade instalada de energia solar e eólica, e o setor dos veículos elétricos tornou-se um novo motor de crescimento, com mais de 31 milhões de unidades em circulação em 2024. A política ambiental chinesa, embora ainda enfrente desafios graves em termos de poluição do ar, da água e do solo, revela uma evolução de um estado desenvolvimentista para um estado eco-desenvolvimentista, onde o crescimento económico é conciliado com objetivos de sustentabilidade e conservação dos recursos naturais.

No plano financeiro, a China enfrentou e enfrenta riscos significativos associados ao rápido crescimento do crédito, à expansão do shadow banking[2] e à formação de bolhas imobiliárias. O caso da Evergrande, o maior promotor imobiliário do país, ilustra os perigos do sobre-endividamento e da dependência excessiva do setor imobiliário, que chegou a representar cerca de 30% do PIB chinês. A resposta do Estado tem sido a implementação de políticas de restrição ao crédito, regulação dos limites de endividamento (“três linhas vermelhas”) e incentivo à consolidação do setor em torno de empresas estatais. O impacto da crise imobiliária traduziu-se numa desaceleração do crescimento, na redução da receita dos governos locais e na necessidade de reorientar o modelo económico para setores mais produtivos e inovadores. A estabilidade financeira é assegurada pelo controlo estatal dos principais bancos e pela capacidade do Estado de intervir em situações de crise, mas os desafios de longo prazo exigem reformas estruturais e maior transparência.

A política externa económica chinesa, materializada na Belt and Road Initiative (BRI) –  Nova Rota da Seda, em português – representa uma extensão da estratégia de desenvolvimento nacional para o plano internacional. A BRI, lançada em 2013, envolve investimentos massivos em infraestruturas, energia, mineração e tecnologia em mais de 150 países, com o objetivo de promover a conectividade, expandir mercados e consolidar a influência global da China. Em 2025, o volume de contratos e investimentos da BRI atingiu níveis recorde, com destaque para projetos de energia verde, mineração de minerais críticos e tecnologia avançada em África, Ásia Central e Europa. A internacionalização das empresas chinesas, tanto estatais como privadas, é facilitada pelo apoio estatal, pela diplomacia económica e pela capacidade de mobilizar recursos financeiros e tecnológicos em larga escala. A BRI, contudo, enfrenta críticas relativas à sustentabilidade da dívida, aos impactos ambientais e sociais e à transparência dos projetos, exigindo uma evolução para modelos de cooperação mais inclusivos e responsáveis.

O papel do Partido Comunista Chinês e a governação económica sob Xi Jinping reforçaram a centralização do poder, a coordenação das políticas e o controlo sobre os setores estratégicos. Xi Jinping promoveu uma recentralização da autoridade sobre as empresas estatais, intensificou a rotação de lideranças e as nomeações conjuntas, e institucionalizou o papel dos comités do Partido na governação empresarial. A campanha anticorrupção, lançada em 2013, visou as SOEs e resultou na queda de vários executivos de topo, aumentando a capacidade do Partido para controlar a economia estatal e promover a disciplina interna. A visão de “propriedade estatal 2.0” mantém-se, com o Estado a incentivar as SOEs a expandirem-se internacionalmente e a liderarem setores de tecnologia avançada, energia renovável e inteligência artificial. A governação sob Xi Jinping representa um aprofundamento das tendências pré-existentes, elevando e formalizando práticas já existentes, em vez de uma rutura total com o passado.

O capital humano, a educação e o investimento em ciência e tecnologia são pilares fundamentais da ascensão chinesa. A expansão do ensino superior, a formação de milhões de engenheiros e cientistas, e a aposta em áreas STEM criaram uma base de talento que alimenta a inovação e a competitividade das empresas nacionais. A China ultrapassou os Estados Unidos na formação de doutorados em ciência e tecnologia, e os seus investigadores ocupam posições de destaque em conferências internacionais e na produção de patentes. A meritocracia do sistema educativo, aliada ao investimento estatal em investigação, permite ao país responder rapidamente aos desafios tecnológicos e adaptar-se às exigências da economia digital.

A participação da China nas cadeias globais de valor evoluiu de uma posição de montagem e processamento de baixo valor acrescentado para uma integração crescente em segmentos de design, investigação e marca própria. O país tornou-se o maior exportador mundial de bens intermediários e finais, e as suas empresas lideram em setores como eletrónica, automóveis, energia renovável e comércio eletrónico. A estratégia de “dupla circulação”, lançada por Xi Jinping em 2020, visa fortalecer o mercado interno, incentivar a inovação nacional e reduzir vulnerabilidades externas, sem abdicar da competitividade global. O objetivo é criar uma classe média robusta, aumentar o consumo interno e promover um crescimento sustentável baseado na sofisticação tecnológica e na qualidade dos produtos.

A demografia e o mercado interno apresentam desafios e oportunidades para o futuro da China. O envelhecimento acelerado da população, a redução da taxa de fertilidade e o aumento da dependência dos idosos colocam pressão sobre o sistema de segurança social, a produtividade e o potencial de crescimento económico. O governo respondeu com políticas de incentivo à natalidade, flexibilização da idade de reforma e promoção da “economia prateada”, mas os efeitos destas medidas são limitados face à magnitude das mudanças demográficas. A transição para uma economia mais intensiva em capital e tecnologia, com maior eficiência e inovação, é vista como solução para compensar a redução da força de trabalho e manter a competitividade internacional.

As políticas de concorrência e regulação das Big Techs chinesas, exemplificadas pelo caso Alibaba, revelam a crescente preocupação do Estado com o poder das plataformas digitais e a necessidade de garantir a concorrência leal e a proteção dos consumidores. A aplicação de multas recorde, a imposição de regras antimonopólio e a exigência de conformidade regulatória demonstram a capacidade do Estado de intervir rapidamente e de reequilibrar o mercado digital. O impacto destas medidas vai além das empresas visadas, afetando todo o setor tecnológico e sinalizando uma nova era de regulação e supervisão estatal sobre a economia digital.

A ascensão da China como superpotência económica é, portanto, resultado de uma combinação de fatores históricos – como a herança imperial, a experiência socialista e a abertura pragmática –, institucionais – como o planeamento estatal, a flexibilidade política e a experimentação –, políticos – como o papel do Partido Comunista, a centralização do poder e a coordenação das reformas –, e económicos – como a industrialização acelerada, a integração nas cadeias globais de valor, a inovação tecnológica e a transição para a sustentabilidade. Economistas de renome internacional, como Paul Krugman, Stephen Roach, Adam Posen e Ha-Joon Chang, destacam tanto os méritos do modelo chinês – capacidade de adaptação, pragmatismo, investimento em capital humano e inovação – como os seus riscos e limitações – desigualdade, falta de transparência, desafios demográficos, bolhas financeiras e tensões geopolíticas. Krugman, por exemplo, alerta para a insuficiência da procura interna e para a insustentabilidade do modelo baseado em exportações e investimento, enquanto Roach sublinha a necessidade de reformas estruturais e de maior apoio à inovação e ao consumo.

Os indicadores macroeconómicos confirmam a magnitude da transformação chinesa. Entre 1978 e 2024, o PIB cresceu de cerca de 218 mil milhões de dólares para mais de 18,9 biliões de dólares, com taxas médias anuais superiores a 9% durante várias décadas. O PIB per capita aumentou de 229 dólares em 1978 para mais de 13.400 dólares em 2024, refletindo a melhoria do padrão de vida e a redução da pobreza extrema, que beneficiou mais de 850 milhões de pessoas desde 1980. A China lidera mundialmente em valor agregado da manufatura, exportações de alta tecnologia, produção de veículos elétricos, painéis solares e baterias de lítio. O investimento em I&D, a formação de capital humano e a internacionalização das empresas nacionais consolidam a posição do país como potência económica, tecnológica e científica.

A inovação empresarial e a ascensão de campeões nacionais como Huawei, BYD, Alibaba, Tencent e Xiaomi ilustram a capacidade da China de competir globalmente em setores de ponta, mesmo sob restrições externas e sanções geopolíticas. A resiliência destas empresas, apoiada por investimentos massivos em investigação, diversificação de negócios e adaptação às condições do mercado, demonstra a eficácia do modelo de colaboração público-privada e a flexibilidade estratégica do Estado chinês. A Huawei, por exemplo, sobreviveu e prosperou face às sanções dos Estados Unidos, investindo em semicondutores, inteligência artificial e redes 5G, e expandindo-se para mercados emergentes onde a procura por tecnologia acessível e de qualidade é elevada.

Os riscos geopolíticos e o impacto nas relações económicas com os Estados Unidos e a União Europeia são fatores cada vez mais relevantes na definição do futuro da China como superpotência económica. A guerra comercial, as restrições à exportação de semicondutores, as sanções às empresas tecnológicas e a crescente competição em setores estratégicos como inteligência artificial, computação quântica e energia verde criam desafios à autonomia tecnológica e à estabilidade das cadeias de valor globais. A resposta chinesa tem sido o reforço da autossuficiência, o investimento em inovação doméstica e a diversificação dos parceiros internacionais, especialmente no Sul Global, onde a China é vista como força motriz da modernização e industrialização.

O planeamento económico, materializado nos planos quinquenais e nas metas para 2021-2025, orienta a transformação estrutural, a inovação tecnológica, a transição energética e a abertura económica global. O 14º Plano Quinquenal, por exemplo, define objetivos ambiciosos para o crescimento do PIB, a criação de empregos urbanos, o investimento em educação, saúde e seguridade social, a expansão da inteligência artificial, a autossuficiência em semicondutores, a promoção da economia verde e a consolidação da liderança tecnológica. A implementação destas metas é coordenada pelo Estado, com participação ativa do Partido Comunista, das empresas estatais e privadas, das universidades e dos centros de investigação.

Em síntese, a ascensão da China como superpotência económica resulta de uma combinação única de pragmatismo político, planeamento estatal, abertura seletiva ao mercado, investimento em capital humano e inovação, adaptação institucional e capacidade de resposta aos desafios internos e externos. O modelo chinês, embora não isento de riscos e limitações, demonstra uma flexibilidade e uma capacidade de aprendizagem que o distinguem dos paradigmas tradicionais do desenvolvimento. A experiência chinesa oferece lições valiosas sobre a importância da experimentação, da coordenação entre Estado e mercado, da valorização da educação e da ciência, da promoção da inovação e da sustentabilidade, e da capacidade de adaptação às mudanças globais. O futuro da China como superpotência económica dependerá da sua capacidade de enfrentar os desafios demográficos, ambientais, financeiros e geopolíticos, de promover uma maior inclusão social e de consolidar a liderança tecnológica num mundo cada vez mais competitivo e interdependente.


Segue-se uma síntese dos principais ganhos sociais alcançados pela China desde 1978, na sequência da liderança de Deng Xiaoping e da implementação do programa de “Reforma e Abertura” (“Gaige Kaifang”):

  • Educação
    • Taxa de literacia superior a 96% em 2023.
    • Ensino obrigatório de nove anos universalizado, com forte redução das disparidades entre zonas urbanas e rurais.
    • Crescimento exponencial do ensino superior: mais de 40 milhões de estudantes universitários em 2020.
    • Investimento em ciência e tecnologia, com universidades chinesas a subir nos rankings internacionais. 
  • Saúde
    • Cobertura de seguro de saúde ultrapassa 95% da população.
    • Redução da mortalidade infantil de 50 por mil (1990) para menos de 6 por mil (2020).
    • Esperança média de vida aumentou de 67 anos (1980) para 78 anos (2022).
    • Expansão da rede hospitalar e melhoria dos cuidados primários, sobretudo nas zonas rurais.
  • Transportes
    • Rede ferroviária de alta velocidade com mais de 40.000 km, a maior do mundo.
    • Modernização de estradas, portos e aeroportos, com forte impacto na coesão territorial.
    • Acesso rodoviário a praticamente todas as aldeias do país. 
  • Energia
    • Universalização do acesso à eletricidade.
    • Liderança mundial em capacidade instalada de energia solar e eólica.
    • Expansão da rede elétrica inteligente e diversificação da matriz energética. 
  • Água e saneamento
    • Acesso a água potável para mais de 95% da população.
    • Melhoria significativa dos sistemas de saneamento urbano e rural.
    • Grandes projetos de transferência hídrica entre regiões para mitigar escassez. 
  • Habitação
    • Programas de habitação social e realojamento de milhões de pessoas em zonas urbanas.
    • Mais de 90% das famílias urbanas possuem casa própria.
    • Urbanização acompanhada de investimentos em infraestruturas e serviços públicos. 
  • PIB per capita
    • Aumento de menos de 200 dólares (1980) para mais de 12.000 dólares (2024, em PPC).
    • Transição de país de baixo rendimento para economia de rendimento médio-alto.
    • Crescimento sustentado do rendimento disponível das famílias. 
  • Combate à pobreza
    • Mais de 850 milhões de pessoas retiradas da pobreza extrema desde 1981, segundo o Banco Mundial.
    • Erradicação oficial da pobreza absoluta em 2020, com 98,99 milhões de pessoas rurais retiradas dessa condição.
    • Reconhecimento internacional, incluindo pela ONU, como um dos maiores feitos de redução da pobreza da história moderna.
    • Programas de transferência de rendimentos, formação profissional e desenvolvimento rural integrados.

 Nota analítica: estes avanços sociais foram simultaneamente causa e consequência do crescimento económico chinês. A melhoria das condições de vida, aliada a políticas públicas ambiciosas e à mobilização de recursos estatais, criou um ciclo virtuoso de desenvolvimento. A erradicação da pobreza extrema, em particular, consolidou a legitimidade do modelo chinês e reforçou a sua projeção internacional como superpotência emergente.

Praia, 18 de janeiro de 2026



[1]STEM é um acrónimo em inglês que significa:

·        SScience (Ciência)

·        TTechnology (Tecnologia)

·        EEngineering (Engenharia)

·        MMathematics (Matemática)

O termo é usado para designar, de forma agregada, as áreas científicas e tecnológicas consideradas estratégicas para a inovação, a produtividade e a competitividade económica.

[2] Shadow banking (em português, banca-sombra ou sistema bancário paralelo) designa o conjunto de instituições e atividades financeiras que realizam funções semelhantes às dos bancos, mas fora do sistema bancário tradicional e sem estarem sujeitas ao mesmo nível de regulação e supervisão prudencial.


 

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